Era uma vez - Primeira parte




Era uma vez... um gato chinês.

Não, não era isso.


Era outra vez então... uma menina super curiosa que se espantava com tudo. Tudo era tão grande... suas bonequinhas, seus irmãos, seus pais, sua casa, seu jardim...
Até mesmo a casinha de bonecas da menina da casa ao lado, era de tres andares e tinha móveis como casa de gente. Gostava muito de ser convidada para brincar lá, mas quase nunca a deixavam, não entendia o porquê.
A noite, na hora de dormir, guardava a boneca preferida no armário imaginando que ela cresceria e viraria uma menina de verdade. Todo dia ao despertar ia lá espiar com cuidado se a menina já estava acordada. Mas dentro do armário encontrava sempre sua boneca dormindo, sem crescer nem um tiquinho...
Um dia alguém lhe contou que para nascer bebês tinha que colocar açucar na janela. As vezes ela fazia isto. Mas levou muitos anos para acontecer e ficou sem entender como que o bebê foi parar na barriga da sua mãe. Foi um dos acontecimentos mais felizes de sua vida quando nasceu sua irmãzinha, que parecia uma boneca mas era muito melhor pois se movia e fazia sons, até molhava as fraldinhas, sem precisar dar corda.
Muitas coisas ela não entendia. Não entendia porque gente grande podia sair de noite e ela tinha que ir pra cama cedinho.
Mas era esperta e era só escutar a porta fechar e o motor do carro fazer barulho que pulava da cama e provocava seu irmãozinho, fazendo guerra de travesseiros. Pulavam e gritavam de alegria até escutar novamente o barulho da porta abrindo. Jogavam-se debaixo das cobertas e fingiam dormir como dois anjinhos. Algumas vezes não percebia o retorno dos pais, pensava que o irmão se deitara de cansaço e era pega desprevenida. Mesmo assim, disfarçava como se estivesse sonhando e eles não fossem perceber sua traquinagem.
Tinha sempre uma curiosidade em saber de onde as coisas vinham. Ninguém lhe explicava direito.
De tanto pensar nas coisas ela vivia confusa.
O padre da igrejinha, que sempre lhe fazia currupio e lhe dava santinhos, lhe ensinava que tinha que ser comportada porque senão deus ficaria triste. Ele explicava que deus era a coisa mais importante do mundo. Como ela não gostava de deixar ninguém triste tentava fazer tudo direitinho. Mas quem era esse deus? Entendia que era alguém muito especial. Mas quem era, onde estava?
De tanto fuçar a origem de tudo chegou na maior questão. Tudo girava ao seu redor e se ela não existisse nada existiria. Foi uma descoberta e tanto... ela era muito importante para o mundo, tudo dependia dela.
Ela era deus.


clarice ge

2 comentários:

Valéria disse...

Eu fico em encantamentos querendo aprender a achar que deus é uma gente assim tão especial que nem essa menininha aí qui eu intuo quem seja...
pra mim ele as vezes é uma gente distante, onipresente, onisciente, onipotente... mas, se ele for eu e eu for ele...ah então ele é legal! rs
É... “eu queria crescer pra passarinho” Manoel...
Eu sei duma coisa: é bom ler Cralice... bom demais.
Beijo
Ssa fotinho é tu tatu?

Lela disse...

Que bom que ela existe e tudo ao seu redor também.
Deus... Hoje é um daqueles dias em que fecho os olhos pra encontrá-lo dentro de mim... dia de fazer força pra lágrima sorrir.
Beijo, Cla.